Rizartrose

21-07-2018 21:48

Rizartrose, a artrose do polegar       

 

            A articulação carpometacárpica ou trapezometacárpica do polegar é composta por um pequeno osso do punho, o trapézio, e a base do primeiro metacarpo. Esta é uma articulação que permite uma ampla variedade de movimentos nos três planos, tais como, movimentos para cima e para baixo, através da palma da mão, e o movimento de pinça. Devido a esta elevada amplitude de movimentos, a articulação está propensa à degeneração (Dias, 2007; Junior, 2011).

 

O que é a Rizartrose?

 

            Numa articulação sã, a cartilagem cobre a extremidade dos ossos e funciona como um amortecedor para permitir movimentos suaves e sem dor. No caso da artrose do polegar, ou Rizartrose, existe um desgaste da cartilagem o que resulta num contacto direto entre os ossos, provocando dor e deformidade óssea (American Society for Surgery of the Hand, n.d).

 

            Este desgaste é resultado da sobrecarga na região da face esferoidal que apresenta uma área de contacto reduzida nos movimentos de retroposição e de pinça lateral. O processo degenerativo pode ser acelerado se houver associação de frouxidão ligamentar primária ou secundária a trauma ou alterações hormonais (Junior, 2011).

 

Rizartrose - artrose do polegar

 Ilustração 1: Articulação metacárpica do polegar com Rizartrose. Fonte: Pinterest.

 

            A Rizartrose é uma condição bastante frequente e que afeta principalmente mulheres a partir dos 40-45 anos e pós-menopausa, mas também é verificada em homens com história de uso repetitivo da articulação e em mulheres mais jovens com quadro de frouxidão ligamentar (Dias, 2007; Junior, 2011).

 

Quais as principais causas?

 

As principais causas para a artrose do polegar são (Dias, 2007):

  • Frouxidão articular basal excessiva;
  • Menopausa;
  • Sobrecarga repetida da articulação;
  • Traumas anteriores do polegar;
  • Fraturas na base articular do metacarpo e com cicatrização incorreta;
  • Artrite inflamatória.
 

Quais os principais sintomas?

 

            O sintoma mais comum é dor na base do polegar, centrando-se na região articular com possível referência distal ao metacarpo ou proximal ao pulso e irradiando-se para a articulação metacárpicofalângica do polegar. Esta dor está frequentemente relacionada com a atividade, em particular, após o uso excessivo da mão em movimentos de pinça (Dias, 2007).

 

            A dor pode ser espontânea, forte e de intensidade variável, tornando impossível a oponência do polegar, limitando a mobilidade do mesmo. Conforme a deformidade progride, a dor pode tornar-se constante (Dias, 2007).

 

            Para além deste sintoma predominante, a fraqueza do movimento é também experienciada. Nos estágios mais avançados da doença, quando ocorre instabilidade e subluxação da articulação, os pacientes relatam incapacidade de abduzir o polegar, fraqueza na preensão e deterioração da função da mão, com dificuldade em fazer o polegar afastar-se da palma da mão para agarrar objetos grandes (Dias, 2007).

 

            Pode, eventualmente, verificar-se o colapso do polegar, o que provoca uma deformidade com adução progressiva do primeiro metacarpo e hiperextensão compensatória da articulação metacárpicofalângica (Dias, 2007).

 

Articulação metacárpica do polegar com RizartroseRizartrose com colapso do polegar

  Ilustração 2: Articulação metacárpica do polegar com Rizartrose | Ilustração 3: Rizartrose com colapso do polegar. Fonte: Dias, 2007

 

Condições como o síndrome do túnel cárpico, artrose escafoide-trapézio, dedos em gatilho, hiperextensão do dedo ou tenossinovite do punho (inflamação no revestimento do tendão, a sinóvia) são exemplos de problemas que podem desencadear uma Rizartrose (Dias, 2007).

 

Tratamento conservativo para a Rizartrose

           

            O tratamento conservador é o tratamento inicial no caso da artrose de polegar e inclui repouso, o uso de uma ortótese de imobilização e alguns medicamentos (analgésicos ou anti-inflamatórios), com o objetivo de restaurar a funcionalidade do polegar através do alívio da dor, e dando estabilidade, mobilidade e força (Junior, 2011; Spaans, 2015).

 

            No que diz respeito às ortóteses, estas são usadas para descansar a mão, imobilizando a base do polegar, mantendo-o em posição abduzida (Junior, 2011).

 

            Alguns estudos realizados com pacientes com Rizartrose e usuários de ortóteses afirmam, na sua maioria, que a ortótese (Grüschke, 2018):

  • contribuiu para a diminuição do desgaste articular;
  • proporciona estabilidade levando à redução da dor;
  • confere conforto;
  • permite o descanso da articulação;
  • previne a subluxação articular.

 

            O uso de ortóteses permitirá um repouso mais eficaz da articulação trapéziometacárpica e, consequentemente, maior alívio da dor, e podem ser usadas nos diferentes estágios da Rizartrose. O seu principal objetivo é este o alívio, uma vez que ela não resolve os sintomas na sua totalidade, mas tenta contribuir para uma melhoria dos mesmos.

           

            As ilustrações seguintes mostram exemplos de ortóteses de imobilização de polegar que podem ser usadas neste caso.

 

Tala forrada postural de polegar transpirávelTala rígida do polegar em alumínio Rhizomed

           Ilustração 4, 5: Exemplos de ortóteses aplicáveis a pacientes com Rizartrose.

 

            Caso o tratamento conservador não traga benefícios para o indivíduo poderá ser necessário recorrer ao tratamento cirúrgico. As informações aqui disponibilizadas não dispensam a consulta médica ou o aconselhamento técnico.

 

            Deixamos aqui alguns exercícios que pode executar no seu dia-a-dia de forma a contribuir para a manutenção saudável da sua articulação.

exercícios Rizartrose

 

Referências Bibliográficas:
  • American Society for Surgery of the Hand
  • Dias, Richard; Chandrasenan, Jeevan; Rajaratnam, Vaikunthan; Burke, Frank D. (2007). Basal thumb arthritis. Postgrad Med J, 83:40–43. doi: 10.1136/pgmj.2006.046300
  • Grüschke, Johann S.; Reinders-Messelink, Heleen A.; van der Vegt, Anna E.; van der Sluis, Corry K. (2018). User perspectives on orthoses for thumb carpometacarpal osteoarthritis. J Hand Ther, pii: S0894-1130(17)30335-6. doi: 10.1016/j.jht.2018.04.006.
  • Junior, Walter Gomes Pinheiro; Chaim, Renan Moukbel; de Carvalho, Henrique Bella Freire; Albertoni, Walter Manna; Faloppa, Flávio; dos Santos, João Baptista Gomes. (2011). Artroplastia de excisão do trapézio e interposição tendinosa na rizartrose: estudo prospectivo. Rev Bras Ortop. 46 (1): 75-82.
  • Spaans, Anne J.; van Minnen, Paul; Kon, Moshe; Schuurman, Arnold H.; Schreuders, A. R. (Ton); Vermeulen, Guus M. (2015). Conservative Treatment of Thumb Base Osteoarthritis: A Systematic Review. J Hand Surg Am. 40:16-21. doi: 10.1016/j.jhsa.2014.08.047
  • Orliman®
 
 

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