Como cuidar o Pé de Diabético?

01-03-2018 12:58

Pé Diabético

A diabetes é uma doença metabólica que afecta a produção de insulina no organismo humano, causando um aumento dos níveis de açúcar no sangue. Para a glicose entrar para as células e fornecer energia, necessitam da insulina. Se houver descréscimo ou corte total do fornecimento de insulina esse processo não ocorre da melhor forma. Num organismo saudável, a quantidade de insulina é produzida consoante a quantidade de glicose ingerida pelo indivíduo, quando isto não acontece, a glicose não é convenientemente absorvida e convertida em energia, mantendo-se na circulação sanguinea, deteriorando, a longo prazo, várias áreas do organismo.

 

Tipos de Diabetes

Existem vários tipos de Diabetes, sendo que, os mais comuns e problemáticos são a Diabetes Mellitus Tipo 1 e Tipo 2:

Tipos de Diabetes

Imagem 1: Diabetes Tipo 1 e Tipo 2 

 

Diabetes Mellitus Tipo 1

Também conhecida como Diabetes Insulino-Dependente, dentro destes dois tipos é a mais rara e atinge por norma crianças e adolescentes, podendo também ocorrer em adultos e em idosos. Neste tipo de diabetes as células beta do pancreas deixam de produzir insulina devido à sua destruição. Esta destruição ocorre devido ao próprio sistema imunitário do indivíduo que “ataca” o pancreas e destroi as suas células. Deste modo, a única forma de manter os níveis de glicoce controlados é atraves da administração de insulina.

 

Diabetes Mellitus Tipo 2

É o tipo mais comum (9 em 10 são diabéticos tipo 2) de Diabetes e está intrisecamente ligada a maus hábitos alimentares e estilo de vida, tendo também alguma ligação hereditária. Neste tipo de diabetes existe um défice na produção de insulina, não havendo um corte total do seu fornecimento, mas também uma resistência à mesma, causando ao início valores mais elevados de insulina e glicose normal, pois o pancreas produz insulina em excesso para manter os níveis de açúcar normais. Ao longo do tempo, com a deterioração devido ao esforço, a produção de insulina começa a falhar levando ao aumento dos valores de glicose no sangue.

 

Ao longo do tempo, numa diabetes mal controlada, surgem os primeiros sinais do desgaste do organismo, sendo os mais comuns:

  • Doença cardíaca e enfarte
  • Lesões renais
  • Lesões oculares
  • Lesões neurológicas
  • Problemas nos pés
  • Doença do foro dentário
  • Disfunção sexual
 

Uma das consequências mais comuns é o chamado “Pé Diabético” que causa vários tipos de problemas ao nível dos membros inferiores, tanto por fatores circulatórios como neurológicos. Este tipo de problemas pode levar, numa fase mais adiantada, a amputações. Em Portugal, ocorrem cerca de 1600 amputações por ano, causadas pela diabetes. É importante perceber a causalidade e a forma de prevenir este tipo de problema.

 

Cuidados

 

Para prevenir esta consequência da diabetes, os utentes devem atuar agressivamente na prevenção:

  •  Manter a glicémia controlada;
  •  Não fumar;
  •  Inspecionar os pés todos os dias para ver se apresentam  algum tipo de lesão, pois se existirem alterações na sensibilidade, pode ter lesões graves que não sente nem doem;
  •  Manter os pés sempre limpos e protegidos das variações de temperatura;
  •  Hidratar bem a pele;
  •  Usar calçado confortável e largo;
  •  Fazer regularmente uma atividade física durante pelo menos 30 minutos (Sempre com aconselhamento médico).
 

Mesmo estando bem informados sobre estes problemas, infelizmente, a prevenção e o diagnóstico precoce não é recorrente, sendo muito importante o trabalho dos técnicos de saúde que acompanham estes utentes no melhoramento destes aspectos.

 

Causas

 

As duas principais causas que levam ao aparecimento de problemas a nível dos membros inferiores são a Neuropatia Periférica (NP) e a Doença Vascular Periférica (DVP).

 

A NP é por norma, a causa mais comum de problemas a nível dos membros inferiores (MI). Vai causar uma perda progressiva da sensibilidade dos MI, fazendo com que, numa fase mais avançada da doença, o utente perca toda a sensibilidade a qualquer tipo de trauma. Daí, ser importantíssima a vigilância e protecção constante do seu pé. Podem também ocorrer alterações na marcha, levando a uma projecção do corpo para a frente, causando mais pressão na zona anterior do pé, onde aparecem, normalmente as primeiras úlceras.

úlceras de pé de diabético

Imagem 2: Calosidade plantar já em úlcera neuropática 

 

Outra consequência da NP é a diminuição progressiva da sudorese, tornando a pele mas seca e mais propensa a rupturas cutâneas. Em casos de osteopénia(também comum na diabetes) poderá haver um aumento do fluxo sanguíneo a estas zonas, contribuindo para o aspecto rosado de um pé neuropático. Nestes casos, é crucial o uso de palmilhas, tanto para proteger o pé de traumas, como para reposicionar o corpo, de forma a distribuir melhor as pressões no pé de forma a diminuir a probabilidade de formar calosidades e, consequentemente, prováveis úlceras.

 

Na DVP, a incidência diminui bastante, afectando cerca de 20% dos utentes com diabetes. Ocorre precocemente, e poderá acometer ambos os MI, simultaneamente. Como sintomas poderemos ter a claudicação intermitente ( dor durante a marcha que cessa com o repouso), e facilmente poderão ocorrer úlceras ou mesmo necrose devido a falta de fluxo sanguíneo e, consequentemente, falta de oxigenação dos tecidos. Estas úlceras poderão aparecer devido a pequenos traumas, que não sendo vigiados, progridem muito rapidamente.

 

Existem vários métodos de avaliação tanto da NP como da DVP. Se é diabético é importante ser bem seguido pelos seus profissionais de saúde, de forma a prevenir o avanço destes problemas. No entanto, a autoavaliação é aconselhada, e há cuidados que pode ter em casa todos os dias.

 

 Cuidados com os pés

Imagem 3: Cuidados com os pés

Tratamento e Prevenção

 

Como prevenção, e até como tratamento, existem também alguns produtos que poderão facilitar a vida do utente, de forma a manter os seus pés mais protegidos de traumas.

 

Meias

Para evitar problemas a nível dos pés de um diabético este deverá ter atenção ao tipo de meias que utiliza. A meia deverá ser de um material macio e transpirável (para evitar a retenção de humidade), não deverá ser demasiado apertada na sua zona proximal e não deverá ter costuras em contacto directo com o pé. Para isto existem meias para pés sensiveis e/ou diabéticos. Por norma, também se aconselha que a meia seja num tom claro, para no caso de ocorrer algum sangramento, ser rapidamente detectado. São fabricadas pricipalmente em algodão mas podem ter na sua constituição outros materiais (Fibra de prata, Crabyon) que actuam de uma forma regeneradora, antibacteriana e protectora, mantendo o pé confortável.

meias de diabéticomeias pé de diabéticomeias de diabético em algodãomeias de diabético Juzo

Imagem 4: Meias em algodão e meias em fibra de prata

Calçado ortopédico

Outro produto importante, senão dos mais importantes, para um bom cuidado do pé diabético é o calçado apropriado. Quando ainda não existe nenhum problema especifico pode-se utilizar calçado normal  desde que tenha em atenção que seja confortável, com uma forma mais larga e não tenha o tacão muito alto. Para casos onde já existem problemas circulatórios e/ou neurológicos  é recomendado o calçado específico para diabéticos e pessoas com outro tipo de problemas nos pés. Este calçado deve ser aconselhado pelo seu profissional de saúde e experimentado com o mesmo. Estes sapatos devem ter caracteristicas próprias como:

  • Materiais respiráveis e transpiráveis (evitar sintéticos);
  • Sem costuras, principalmente na zona anterior do pé;
  • Contraforte para aumentar a estabilidade;
  • Sola flexível e antiderrapante;
  • Tacão não superior a 3 cm;
  • Forma alta e larga para evitar pressões;
  • Sistema de aperto em atacador ou velcro (aumentando a ajustabilidade do sapato) e/ou tecido expansível;
  • Possibilidade de substituir a palmilha do calçado por uma feita por medida.

sapato diabético com atacadoressapato diabéticosapato diabético homem

Imagem 5: Calçado para diabético

 

Ortóteses plantares por medida

Deverá ter-se sempre em conta o tamanho a adquirir. Daí a importância de experimentar o sapato, pois pode ser necessário adquirir um tamanho superior.

Para além de conseguirmos reprogramar a postura corporal com a utilização de uma palmilha por medida, de forma a diminuir as pressões em algumas zonas dos pés, também conseguimos fazê-lo através dos materiais utilizados, assim como conseguimos proteger o pé de traumas externos. É muito importante para um diabético, a utilização de uma palmilha, tanto já tendo problemas a nivel dos MI, como não. Podemos atuar na prevenção, evitando feridas, calosidades e deformações ósseas, assim como podemos actuar na ajuda da recuperação de uma úlcera ou amputação (nos casos mais severos).

Palmilha para pé diabético

Imagem 6: Palmilha para pé diabético

 

No caso de amputação de parte do pé, poderá ser feita uma palmilha por medida com preenchimento da zona em falta, de forma a fornecer melhor conforto e adaptabilidade ao calçado.

 

As palmilhas são feitas através de um molde, retirado pelo Ortoprotésico, que depois será trabalhado pelo mesmo, e moldado com os materiais mais adequados ao seu caso. Será sempre feita uma avaliação prévia de toda a estabilidade corporal e, especialmente do pé, para a palmilha ficar o melhor adaptada a si.

Espuma fenólica para molde

Imagem 7: Espuma fenólica para molde

 

Existem, também váriados produtos de podologia, que poderão ser úteis em proteger calosidades ou “acamar” deformações ósseas de forma e evitar dores e possíveis feridas.

 

Almofada metatársica em gel Protector de ante-pé em gel protetor em dedeiraTubo elástico em gel

Imagem 8: Soluções Podologia 

 

Será sempre importante o aconselhamento de um profissional de saúde para saber qual ou quais os produtos mais aconselhados ao seu caso. Mas primeiramente, invista na prevenção e no bom controle da sua diabetes.

 

Pé de Diabético (Cuidados e tratamento)

Não foram encontrados comentários.

Novo comentário