O que é a Esclerose Múltipla?

21-03-2018 17:06

Esclerose Múltipla

Perfil da Doença:

  • Tipologia: Doença crónica, inflamatória e degenerativa;
  • Afeta: Sistema Nervoso Central (SNC)
  • Faixa etária mais afetada: Entre os 20 e os 40 anos de idade;
  • Género: Feminino (3 a 4 vezes mais probabilidade que os homens); 
  • Números no Mundo: 2.500.000 pessoas com EM (dados da OMS);
  • Números em Portugal: mais de 8.000 (dados da OMS).

 

Causas

Até ao momento, apesar dos diversos estudos sobre a temática, não se descobriu uma causa definida que origine a Esclerose Múltipla, contudo esses estudos contribuíram para aprofundar conhecimentos acerca dos fatores que podem potenciar o desenvolvimento da EM, são eles:

  • Fator ambiental
    Sabe-se que a EM não ocorre com a mesma frequência em todos os países do mundo, afetando principalmente indivíduos de raça caucasiana na Europa, América do Norte e Austrália (figura 1).
 

Risco de desenvolvimento Esclerose Múltipla no mundo

Risco de desenvolvimento Esclerose Múltipla no mundo

  • Fator hereditário

Sabemos que a EM não é 100% hereditária, ou seja não se transmite a todos os membros, contudo no que diz respeito aos membros de uma família com EM, estes têm um risco maior de contrair a doença do que alguém sem historial familiar de EM. Isto é, existe uma predisposição genética desta patologia.

 

  • Doença auto-imune

A Esclerose Múltipla é considerada uma doença auto-imune, o sistema imunitário do doente reage contra as estruturas do corpo, em vez de combater agentes externos que enfraquecem o organismo. Neste caso são os neurónios a estrutura visada, já que esta é uma patologia que afeta o Sistema Nervoso Central, os anticorpos atacam o tecido que reveste os neurónios, a bainha de mielina que permite que a mensagem dada pelo cérebro seja transmitida com clareza a qualquer parte do corpo. Quando esta bainha é atacada pelos anticorpos degrada-se, a mensagem transmitida por aquele neurónio não chegará correta ao destino.

 

Num exemplo mais prático é como se o neurónio fosse um cabo elétrico, em que a bainha de mielina é o revestimento desse cabo, se o revestimento estiver degradado, expondo o interior do fio, a energia chega ao destino com falhas ou pode haver curto-circuito, o mesmo acontece com esta patologia, essas falhas de transmissão traduzem-se depois em diversos sintomas.

Esclerose Múltipla

Tipos de Progressão da EM

Existem diversos tipos de progressão nesta doença podendo fazer uma divisão da EM em quatro tipos clínicos de acordo com a forma de progressão da doença até ao momento. A forma de progressão da EM não é estática, um mesmo paciente em diferentes fases da vida pode percorrer vários tipos.

 

O curso clínico que a doença pode tomar permite estabelecer uma distinção entre vários tipos de EM:

 

A. Surto-Remissão: caracteriza-se por surtos, seguidos por períodos de remissão com recuperação total ou parcial dos efeitos sentidos.

B. Secundária Progressiva: este tipo de EM inicia-se com a forma clínica de surtos, e à medida que o tempo passa instala-se uma perda gradual das funções, sendo as recuperações frequentemente incompletas.

C. Primária Progressiva: este tipo de EM não apresenta surtos, mas num período de anos vai-se instalando uma perda gradual e acentuada das funções do corpo.

D. Benigna: este tipo inicialmente caracteriza-se por EM por Surto-Remissão, mas depois de muitos anos a incapacidade continua praticamente inexistente ou muito reduzida.

 

Os sintomas nomeadamente manifestados durante um surto, dependem da localização da inflamação e da desmielinização no Sistema Nervoso Central. No entanto a maioria dos sintomas são comuns a outras patologias  do SNC, torna o diagnóstico desta doença bastante moroso. Recorre-se a exames complementares para determinar o diagnóstico, tais como:

  • Ressonância Magnética Nuclear;
  • Estudo de Potenciais Evocados;
  • Punção Lombar.

 

Sintomas da Esclerose múltipla

 

Sintomas Esclerose Múltipla

 

Fadiga

A fadiga é um sintoma muito frequente e transversal a todos os tipos de EM, quer na forma de surtos quer nos tipos mais progressivos da doença. Este sintoma é um dos quais não contribui para o diagnóstico pois é comum a outras patologias. Na EM os períodos de fadiga podem durar meses, consoante normalmente a duração do surto.

 

Neurite óptica

É um dos sintomas típicos, trata-se de uma inflamação do nervo óptico, responsável pela visão, o doente queixa-se normalmente de visão turva, embaciada e, por vezes dor por trás do olho, que aumenta quando o roda, sensação que poderá durar dias.
Há melhorias graduais, mas a recuperação nem sempre é completa, em períodos de stress, de maior cansaço ou períodos febris, pode sentir novamente esta inflamação  contudo isto não significa que a EM está novamente ativa.

 

Perda da força muscular

O sistema nervoso contém um grande número de fibras nervosas que controlam os movimentos – aquilo a que chamamos a função motora, é portanto muito provável que a EM cause lesões que atinjam esse sistema.

Muitos indivíduos com EM perdem força muscular durante o curso da doença, essa perda varia entre perda da motricidade fina (os dedos deixam de funcionar bem) até à paralisia e pode ocorrer não só em ataques temporários nos surtos, mas também como um processo gradual (progressivo) sem recuperação.


A perda gradual de força afeta por norma mais as pernas do que nos braços. Dependendo da progressão pode haver a necessidade do paciente com EM de alguns auxiliares de marcha como bengala, canadianas ou andarilho. Em perdas muito incapacitantes pondera-se também a cadeira de rodas.

Ainda assim, estima-se que cerca de 80% dos pacientes com EM conseguem andar durante dez anos após ter sido diagnosticada a doença sem recorrer a um auxiliar de marcha.

 

Alterações da sensibilidade

Tal como a força muscular, também a sensibilidade é controlada por fibras nervosas. podendo também estes sintomas serem transitórios ou progressivos:

  • Dormência de uma ou mais regiões do corpo;
  • Sensação de pernas encortiçadas dando a impressão que “caminha sobre algodão”;
  • Irritação cutânea sobre a forma de formigueiro, picadas em zonas específicas ou em determinados segmentos, por exemplo da cintura para baixo.
 

Sobre a forma de dor, a EM afeta muitas vezes um dos nervos da face causando dores faciais, um estado conhecido como nevralgia do trigémeo.

A perda de força muscular nas pernas e nos braços também pode ser acompanhada por uma contractura em diversos músculos: isto é conhecido como espasticidade e pode provocar dores.

 

Equilíbrio/coordenação

Podem ocorrer distúrbios no cerebelo, responsável pelo controlo dos movimentos que fazemos, podem levar a dificuldade em manter o equilíbrio ou a coordenação. Pode, por exemplo, ter dificuldade em agarrar pequenos objetos, surgindo ao fazê-lo um tremor da mão. Poderá começar a caminhar como se estivesse embriagado ou sentir dificuldade em agarrar de forma correta numa caneta e escrever de forma clara. Estes problemas também poderão ser transitórios (durante um surto) ou ser mais permanentes numa forma gradualmente progressiva de EM.

 

Alterações cognitivas

Podem surgir problemas com a memória recente, em especial em pacientes que sofrem de EM há bastante tempo. Também poderá sentir dificuldade em concentrar-se, o que poderá complicar a realização de várias tarefas em simultâneo. Poderá, igualmente sentir-se incapaz de resolver mentalmente problemas aritméticos como fazia antes.

 

Alteração de humor e depressão

Após o diagnóstico, Antigamente pensava-se que a EM era acompanhada de uma jovialidade patológica (conhecida como «euforia»), Mas, na verdade, a depressão é mais comum às vezes diretamente relacionada com a EM, mas mais frequentemente como uma reação contra o facto de ter de aprender a lidar com a doença.

Os sentimentos de depressão podem também estar ocultos por uma aparente jovialidade.

Os efeitos que todos estes sintomas têm na qualidade de vida variam muito. Dependem bastante da forma como vive estes sintomas e como consegue lidar com eles. Com o tempo, acabará por aprender a lidar com eles e a compensá-los, realizando coisas de que ainda é capaz e descobrindo novas capacidades.

Não irá acontecer de um dia para o outro: é um processo que requer esforço e tempo, não só da sua parte, mas de todos os que o rodeiam (companheiro/a, filhos ou outros membros da família). Contacte as associações de doentes, os grupos de apoio nos hospitais ou grupos informais para partilhar as dificuldades e conquistas. Isso ajudá-lo-á a valorizar as capacidades, relativizar alguns problemas e aumentar a qualidade de vida.

 

A EM é uma doença crónica, o que quer dizer que dura uma vida e que ainda não tem cura. Mas existe tratamento, tanto a nível terapêutico como de reabilitação. Segue-se uma descrição das formas de tratamento mais comuns.

 

Corticosteróides

Os corticosteróides, substâncias relacionadas com as hormonas produzidas pelas glândulas supra-renais, são usadas há muito tempo como tratamento importante para encurtar a duração dos surtos de EM. Os corticosteróides são conhecidos pela sua capacidade de combater a inflamação. Não têm, contudo, qualquer efeito na progressão da EM, mas reduzem a duração de um surto: diminuem o tempo necessário até à recuperação.

 

A esclerose múltipla não é mortal, uma vez que menos de 10% dos afetados morrem por causa da doença ou das suas complicações. As consequências mais habituais da doença são a mobilidade reduzida e, nos casos mais severos, a invalidez.

 

A debilidade, a rigidez e a perda de massa muscular, o cansaço, as dificuldades na fala e na deglutição, a insuficiência respiratória, os espasmos, as cãibras, os problemas de visão, a disfunção sexual e os inconvenientes cognitivos fazem parte dos sintomas e das consequências da esclerose múltipla.

 

Convém destacar que a esclerose múltipla provoca importantes consequências no aspeto emocional da doença, com depressão, ansiedade e outros distúrbios.

 

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