Displasia da Anca Infantil

15-04-2018 23:17

Displasia de Desenvolvimento da Anca (DDA)

           

            A displasia da Anca Infantil, também conhecida como Displasia de Desenvolvimento da Anca, é uma patologia congénita que deverá ser diagnosticada o mais cedo possível após o nascimento de forma a evitar complicações mais graves no futuro. Esta patologia, também conhecida como luxação congénita da anca, acontece quando existe malformação do acetábulo. A união entre a parte superior do fémur (cabeça do fémur) e a superficie do osso da bacia onde este articula (acetábulo do osso ilíaco) está alterada.

Anatomia da articulação da anca

Imagem 1: Anatomia da articulação da anca

  • Se não for corrigido precocemente o fémur irá articular de forma incorreta prejudicando a marcha e a estabilidade corporal. A “anca instável” é bastante comum (1 em cada 100 bebés) e é às vezes confundida com a verdadeira luxação da anca que atinge na realidade apenas 1 em cada 1000 bebés.
  • A principal causa para a displasia da anca, é o pouco espaço uterino, normalmente no 3º trimestre da gestação.
 

Porém, existem factores de risco, que devem ser tomados em consideração:

  • Apresentação pélvica, isto é, durante o parto o bebé dá a volta e fica com o rabo ou os pés virados para a direção do parto, que poderá fazer com que exista uma extensão exagerada do joelho causando então o desealinhamento da anca;
  • Sexo feminino: é mais frequente em meninas, devido a algumas hormonas maternas que causa relaxamento dos ligamentos das articulações. Por norma, quando ocorre por este problema, os casos resolvem-se naturalmente ao fim de 1 a 2 semanas após o nascimento;
  • Quando já ocorreu displasia da anca em algum familiar de primeiro grau ou em vários familiares mais afastados;
  • Gravidez de gémeos;
  • Primeiro filho;
  • Pouco liquido amniótico (Oligoidrâmnio);
  • Étnia: Há maior incidencia desta patologia em caucasianos e nos nativos americanos, do que nas raças negras e asiáticas.

           

            Como a displasia de desenvolvimento da anca não apresenta logo sintomas, é muito importante que o diagnóstico seja o mais precoce possível, pois só assim consegue-se garantir um tratamento completo. Por norma, ao nascimento são logo feitos testes para despistar esta instabilidade. Se não, nas consultas de rotina, ao longo do primeiro ano, o pediatra examinará as articulações da anca para confirmar ou não a presença deste problema. O diagnóstico deverá ser confirmado antes da criança começar a andar, se não, provavelmente a criança terá que passar por vários internamentos e cirurgias, ou até sequelas definitivas.

 

            Para fazer o diagnóstico existem vários testes possíveis para tal. Deverão ser realizados pelo pediatra, em gabinete médico, com o bebé descontraido. Nenhum destes testes provoca dor ou desconforto ao bebé, mas obviamente se estiver impaciente, poderá chorar.

  • Um dos testes mais conhecido e essencial é a Manobra de Ortolani-Barlow. Deverá ser feito logo ao nascer, e sempre nas consultas seguintes. Esta manobra consiste em, com o bebé despido e sem fralda, o pediatra coloca os polegares na articulação da anca e roda a perna para fora devagar. Ao sentir um ressalto ao realizar este movimento, significa que a cabeça do fémur sai e entra no acetábulo, confirmando a presença da patologia. Este teste deverá ser sempre realizado por um especialista pois esta zona é demasiado sensivel e vascularizada.

 

Manobra de Ortolani-Barlow

Imagem 2: Manobra de Ortolani-Barlow

 

  • Existe outra manobra que o pediátra faz que consiste na verificação da abdução de pernas. O médico tenta abrir as pernas do bebé até tocarem na marquesa e se existir alguma limitação, poderá ser devido à presença da luxação da anca. Há que ter em atenção que poderá ser uma questão tendinosa e há que realizar mais testes para despistar essa possibilidade.

 

Abdução das pernas

Imagem 3: Abdução das pernas

 

  • Outros aspecto a ter em atenção, é o encurtamento de um dos membros inferiores (normalmente só depois dos 2 meses). Isto poderá causar uma assimetria entre os dois lados, notando-se ao fazer a flexão da anca, que um dos joelhos ficará mais abaixo que o outro. Através das pregas cutâneas da coxa, também se pode detectar a assimetria das pernas. Nota-se uma diferença de posição entre as pregas e poderá ser sinal de luxação da anca. Outro sinal, é com o bebé deitado de barriga para baixo, haver um achatamento da nadega do lado da luxação. De qualquer das formas, este tipo de indicador perde o seu significado quando temos uma displasia bilateral, tornando-se essencial para confirmação os outros testes anteriores.
 
  • Um indicador de displasia tardio é o atraso no início da marcha. Ou seja, é muito provável que uma criança com Displasia de desenvolvimento da anca não tratada, começe a andar tardiamente, mas se só for detetada nessa altura já será mais complicada de tratar. Se a displasia for unilateral a criança terá a tendencia de cair para esse lado quando tenta caminhar. Se for bilateral teremos uma marcha com lordose acentuada (barriga para a frente e curvatura da coluna lombar acentuada; “marcha de pato”). Com o passar do tempo, a marcha ficará cada vez mais complicada, fazendo com que a criança perca todo o equilibrio. Daí a importancia do diagnóstico precoce.
 

Tratamento

 
  • Por norma, quando o diagnóstico é feito à nascença ou antes das duas semanas, o pediatra decide aguardar algum tempo para ver a evolução da situação. A maioria das ancas instáveis nos recém-nascidos, estabilizam, por si só, espontaneamente com o desenvolvimento natural do acetábulo e cabeça do fémur. Se o problema não se resolver naturalmente terá que se utilizar um arnês especifico (Arnês de Pavlik ou Tala Splint de Anca) para manter a anca do bebé fletida e evitar o deslocamento da anca, permitindo assim que os ossos crescam na posicão correta. Este tipo de tratamento tem a duração de 2 a 3 meses e uma eficácia de 95%.

 

 

Exemplo de arnês Pavlik

Imagem 4: Arnês Pavlik

Tala Splint

Imagem 5: Tala Splint de Anca

           

  • Se o diagnóstico for realizado mais tarde (depois dos 6 meses), para fazer o tratamento poderá ser necessário a cirurgia para posicionar a cabeça do fémur no sitio correto e a posterior utilização de um gesso de abdução durante 3 a 4 meses após a cirurgia.

 

Bebé com gesso pós operatório

Imagem 6: Bebé com gesso pós operatório

 

  • Em alguns casos pode ser necessário também a utilização do arnês Pavlik.
 

Ortótese tipo arnês Pavlik

Imagem 7: Arnês Pavlik

  

  • Nos casos mais comuns, em que o diagnóstico é feito precocemente, e quando não se resolve naturalmente, a utilização dos arneses é muito comum e tem resultados muito satisfatórios. Impedindo assim, que no futuro, a criança venha a ter problemas a nivel da marcha e outros problemas maiores, como dores, assimetrias ou artrose articular da anca.

 

            Por tudo isto, é importante relembrar que esta patologia inicialmente tem poucos ou nenhuns sintomas visíveis e que os pais e o pediatra, tem um papel muito importante no diagnóstico da mesma.

 

 

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